Homenagem

 

Vania Catani

 

 

 

Vania Catani trabalhou como produtora de TV e, desde os anos 1990, tem se dedicado à produção cinematográfica. Criou em 2000 a Bananeira Filmes, que se tornou uma das mais importantes produtoras de cinema no Brasil.

Vania tem como característica apostar em novos nomes, lançando cineastas estreantes, além de investir num cinema autoral e independente. Já produziu dezenas de filmes que representaram muitas vezes o cinema brasileiro internacionalmente. Entre sucessos de bilheteria, estreias internacionais – como no Festival de Cannes e no Festival de Veneza –, suas produções somadas já foram exibidas em 250 festivais e em 40 países, tendo recebido mais de 180 prêmios.

Já produziu séries de TV e filmes de diretores como Pedro Bial (Os Nomes do Rosa e Outras Estórias), Matheus Nachtergaele (A festa da menina morta), Selton Mello (Feliz Natal, O Palhaço, O filme da minha vida), Anita Rocha da Silveira (Mate-me Por Favor), José Luiz Villamarim (Redemoinho), Guilherme Weber (Deserto), Lucrécia Martel (Zama), entre outros.

Em 2008, Vania Catani fez parte do júri do Femina, quando conheceu e premiou um curta-metragem de uma jovem diretora: Anita Rocha da Silveira. Aquele encontro no festival permitiu uma parceria que resultou no longa-metragem Mate-me por favor.

Em 2017, o Femina presta homenagem a essa grande produtora por todo o seu trabalho e dedicação ao cinema brasileiro, e nada mais coerente que exibir o resultado, quase dez anos depois, de sua participação neste festival como jurada.

 

 

 

 

Sandra Werneck

 

 

Me interesso pelas pessoas e suas vidas, os temas se tornam
relevantes quando sinto necessidade de falar sobre questões cruciais
 que dizem respeito à nossa sociedade.

(Sandra Werneck)

 

Nascida no Rio de Janeiro em 1951, já na adolescência Sandra Werneck se interessou pelo cinema. Desse interesse veio a prática documental, que começou em 1976 com Bom Dia Brasil, culminando com A Guerra dos Meninos em 1991, entre outros. Já no cinema de retomada, seu Pequeno Dicionário Amoroso, de 1996, alcançou considerável sucesso. Protagonizado por Andréa Beltrão e Daniel Dantas, o criativo romance conta ainda com Tony Ramos, Glória Pires e José Wilker.

Na comédia dramática Amores Possíveis, de 2001, a cineasta costura uma trama com personagens bem distintos encarnados por Carolina Ferraz e Murilo Benício em três versões do futuro, 15 anos depois que Júlia deixa Carlos esperando em uma sessão de cinema. Um dos Carlos é um advogado convencional, casado com sua Amélia, o outro vive o amor homossexual por um colega do futebol e o terceiro ainda mora com a insubstituível figura da mãe. A independente Clara seria compatível com algum deles? A metalinguagem e as atuações intensas superam muito a expectativa por um final feliz novelesco. Completam o elenco Beth Goulart, Irene Ravache, Drica Moraes e Emílio de Mello.

Em 2004 foi a vez de Cazuza - O Tempo Não Para, que, estrelado por Daniel Oliveira e abordando parte da carreira e dos relacionamentos pessoais do cantor, arrebanhou um público numeroso, tornando-se um estrondoso êxito de bilheteria e recebendo diversos prêmios. Em 2005, ao lado de Gisela Camara, Sandra retorna aos documentários com Meninas, tratando temáticas que foram mantidas em Sonhos Roubados, de 2009. Na ficção, Jessica (Nanda Costa), Daiane (Amanda Diniz) e Sabrina (Kika Farias) são três garotas adolescentes que entre momentos efêmeros de esperança encaram a realidade árdua de abusos, gravidez indesejada e prostituição na periferia do Rio de Janeiro. Destaque para a participação de M.V. Bill e da sempre maravilhosa Marieta Severo.

Seu mais recente filme é o documentário Mexeu com uma, mexeu com todas, que teve sua estreia em abril deste ano no Festival Internacional É Tudo Verdade. Aproveitando a campanha feminista que visava dar apoio às vítimas de violência, a diretora alterna imagens coletadas em atos e passeatas realizadas pelas ruas de cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo, com relatos de sete vítimas de agressão decorrente de abuso sexual. As personagens que figuram no longa-metragem vão desde personalidades emblemáticas que levaram à criação de leis específicas em nosso país, como a farmacêutica Maria da Penha e a nadadora Joana Maranhão, até mulheres anônimas, de classes sociais diferentes, que foram agredidas por maridos, namorados ou até desconhecidos.

Com linguagem jornalística, aliada a uma montagem ágil, Mexeu com uma, mexeu com todas se pretende didático ao abordar um tema que merece maior implemento social no que tange às políticas públicas. Como relatado pelas sobreviventes, a culpabilização da vítima e sua intimidação, visando evitar denúncias contra os agressores, ainda são algumas das formas com que a estrutura social acaba contribuindo para que o ciclo de violência contra mulheres seja culturalmente tolerado. Numa época que denúncias de abusos sexuais estão abalando a estrutura dos maiores estúdios cinematográficos de Hollywood, um filme como este, dirigido por Sandra Werneck, se mostra extremamente relevante no contexto da primavera feminista em que foi idealizado e condizente com o histórico de seu cinema, que, perpassado pelo afeto, seja ficcional ou documental, sempre colocou os corpos em questão.

 

Isabel Wittmann
Samantha Brasil
Stephania Amaral
Feito por Elas

 

Laura Cardoso

 

 

Laura Cardoso começou sua carreira como atriz aos 15 anos nas radionovelas da Rádio Cosmos, em 1942 (atual Rádio América, em São Paulo). Também trabalhou nas rádios Tupi e Difusora. Estreou na televisão na extinta TV Tupi, em 1952, no programa Tribunal do Coração, escrito por Vida Alves. Participou de programas de teleteatro como TV de Vanguarda, TV de Comédia e Grande Teatro Tupi e, posteriormente, de novelas e programas de diferentes emissoras, como Record, Bandeirantes, Cultura e Rede Globo.

Desde então foram muitas personagens marcantes e diversas que demonstram a sua versatilidade, seja em radionovelas, teleteatro, apresentações em circo, novelas, minisséries ou séries.

É uma das atrizes que mais atuaram na TV, com quase 80 trabalhos, incluindo mais de 50 novelas.

A primeira novela diária foi Quando o Amor É Mais Forte, na Tupi, em 1964. Ficou na emissora até 1967. Entre 1968 e 1973, participou de oito novelas na TV Record. Em 1974, retornou à Tupi, onde ficou até o seu fechamento, em 1980.

Em 1981, estreou na Rede Globo na novela Brilhante, de Gilberto Braga. Nesse meio tempo, passou pela TV Cultura (1991-1992) e novamente pela Record (em 2000).

Atuou pela primeira vez no teatro em 1959, na peça Plantão 21, dirigida por Antunes Filho. Sua carreira no teatro lhe concedeu algumas premiações, como dois prêmios Shell de Melhor Atriz pelas peças Vem Buscar-Me que Ainda Sou Teu (1990) e Vereda da Salvação (1993).

Também tem importante carreira no cinema, em que estreou nos filmes Imitando o Sol, de Geraldo Vietri, e Rei Pelé, de Carlos Christensen, ambos de 1964. Desde então participou de mais de 30 produções, entre longas e curtas-metragens.

Alguns de seus trabalhos no cinema são os curtas Morte, de José Roberto Torero e No Bar, de Cleiton Stringhini e Paulo de Tarso Mendonça (ambos de 2002); e os longas Terra Estrangeira, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas (1995), Através da Janela, de Tatá Amaral (2000), Copacabana (2001), de Carla Camuratti, Fica Comigo Esta Noite (2006), de João Falcão, Muito Gelo e Dois Dedos D’Água (2006), de Daniel Filho, e A Casa da Mãe Joana (2008), de Hugo Carvana.

Um de seus trabalhos mais marcantes foi no filme Clarita, de Theresa Jessouroun, de 2007 – filme que será exibido em sua homenagem no Femina 2017 –, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no 3º Festival de Cinema do Paraná (2008).

Em 2006, Laura Cardoso recebeu do então Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva a Ordem do Mérito Cultural, concedida a personalidades que se destacam por sua contribuição à cultura brasileira.

Além das muitas mulheres às quais deu vida por meio de personagens marcantes que interpretou, tornando-se para muitas mulheres um exemplo pela carreira que construiu, Laura Cardoso também se posicionou publicamente em episódios que envolveram questões de gênero, se declarando feminista e utilizando a sua notoriedade para contribuir para o empoderamento das mulheres brasileiras.

 

Paula Alves

 

 

 

Laura Cardoso began her career as an actress in 1942 at age 15 on Radio Cosmos's radio soap operas (now called Radio America, in São Paulo). She also worked at the Tupi and Difusora radio stations.

She debuted on television on the now defunct TV Tupi, in 1952, in the program Tribunal do Coração, written by Vida Alves. She participated in teletheatre shows such as TV de Vanguarda, TV de Comédia and Grande Teatro Tupi and, later, in soap operas and shows from different broadcasters such as Record, Bandeirantes, Cultura and Rede Globo.

Since then, she has played many remarkable and diverse characters, showing her versatility, be it in radio soap operas, teletheater, circus presentations, soap operas, TV miniseries or series.

She is one of Brazil’s most prolific TV actresses, with over eighty works, including fifty soap operas.

Her first daily soap opera was TV Tupi’s Quando o Amor É Mais Forte, in 1964. She worked for the TV broadcaster until 1967. Between 1968 and 1973, she participated in eight soap operas at TV Record. In 1974, she returned to TV Tupi, where she worked until it went out of business in 1980.

In 1981, she debuted on Rede Globo in the soap opera Brilhante, written by Gilberto Braga. In the meantime, she worked in TV Cultura (1991-1992) and once again in Record (in 2000).

She acted in theatre for the first time in 1959, in the play Plantão 21, directed by Antunes Filho. Her theater career earned her a few awards, including two Best Actress Shell awards for the plays Vem Buscar-Me que Ainda Sou Teu (1990) and Vereda da Salvação (1993).

She also has an important career in the cinema, debuting in the films Imitando o Sol, by Geraldo Vietri, and Rei Pelé, by Carlos Christensen’s, both from 1964. Since then she has participated in more than 30 productions, including feature and short films.

Some of her works in the cinema are the short films Morte, by Jose Roberto Torero and No Bar, by Cleiton Stringhini and Paulo de Tarso Mendonça (2002); and the feature films Foreign Land, directed by Walter Salles and Daniela Thomas (1995), Through the Window, by Tata Amaral (2000), Copacabana (2001), by Carla Camuratti, Stay With Me Tonight  (2006), by João Falcão, A Lot of Ice and Two Fingers of Water (2006) by Daniel Filho, and A Casa da Mãe Joana  (2008), by Hugo Carvana.

One of her most remarkable roles was in the Clarita, a film by Theresa Jessouroun, from 2007; which will be screened in homage to her at Femina 2017. The film earned her the Best Actress Award at the 3rd Festival de Cinema do Paraná (2008).

In 2006, Laura Cardoso received the Order of Cultural Merit from the then President Luiz Inácio Lula da Silva, an honor granted to personalities who stand out for their contribution to Brazilian culture.

In addition to the many women she has brought to life through the remarkable characters she played, becoming an example for many women because of her career, Laura Cardoso has also taken a public stand about incidents that involved gender issues, declaring herself a feminist, and using her notoriety to contribute to the empowerment of Brazilian women.

 

Paula Alves

 

 

 

 

 

 

Dom/Sun, 17 dez 15h

Mexeu com uma, mexeu com todas

BRA, 71 min, 2017 dir: Sandra Werneck

O 19º filme dirigido por Sandra Werneck denuncia a violência e o abuso sexual cometido contra mulheres e conta com relatos de vítimas como a atriz e modelo Luiza Brunet, a nadadora Joanna Maranhão, a escritora Clara Averbuck e a bioquímica Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome à lei que criminaliza a violência contra a mulher. Além dos depoimentos, o filme traz imagens de protestos que expõem a vulnerabilidade da mulher no Brasil e aborda a importância do apoio às vítimas.

 

 

 

 

 

Seg/Mon 18 dez 19h

Clarita

Ficção-documentário  fiction-documentary, 15 min, cor color, RJ, 2007

Narrado na primeira pessoa, e baseado na história da mãe da diretora, portadora da Doença de Alzheimer, o documentário apresenta reflexões e questionamentos sobre o sentido da vida e a convivência com a morte. O documentário alterna imagens filmadas com sua mãe e reconstituições feitas com a atriz Laura Cardoso. Após 9 anos do seu lançamento, o curta atingiu 68 mil vizualizações no youtube e quase 19 mil visualizações no Porta Curtas.

 

Narrated in the first person and based on the story of the director´s mother, who has Alzheimer's disease, the documentary shows us considerations and questions about the meaning of life and the familiarity with death. The documentary alternates the director´s mother real images and recreations with the actress Laura Cardoso. After 9 years of its first exhibition, the short reached 68 thousand views on youtube and almost 19 thousand views on Porta Short.

 

 

 

Prêmios/Awards:
Melhor Atriz para Laura Cardoso, Festival de Cinema do Paraná (2008).
Best actress for Laura Cardoso, Paraná Cinema Festival (2008).

DIR Theresa Jessouroun
R Theresa JessourounP Claudia Schuch

Contato/contact
Theresa Jessouroun
Kinofilmes
kinofilmes@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Local das exibições e seminário

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro

 

 

 

Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
CEP: 20010-000 / Rio de Janeiro (RJ)
(21) 3808-2020
ccbbrio@bb.com.br
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.