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SEMINÁRIO FEMINA 2013

Todos os anos, o Femina realiza um Seminário composto por debates e palestras que reúne diretoras, produtores, pesquisadores, professores e outros convidados para debaterem com o público questões de gênero, sexualidade, corpo, direitos humanos, representações, entre outras temáticas.

Em 2013, o Seminário Femina será realizado em parceria com o Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais – GRAPPA.

O GRAPPA reúne pesquisadores que estudam as múltiplas relações entre a Antropologia e o Cinema. O objetivo deste grupo é refletir o cinema como objeto de estudo das Ciências Sociais focando, especialmente, as articulações entre cinema, narrativas, memória e subjetividade; as representações e interpretações que as narrativas cinematográficas nos propõem sobre os mais diversos temas, como a relação natureza/cultura, o estatuto do humano/não-humano, de corpo, gênero, sexualidade, identidade, etc.; e, por fim, as condições sociais de produção, circulação e recepção dessas narrativas em seus mais diferentes formatos e gêneros, considerando as diversas categorias que estruturam o campo cinematográfico. Em suma, em um mundo cada vez mais constituído por fluxos e contra-fluxos de narrativas audiovisuais, trata-se de considerar o discurso cinematográfico como uma forma expressiva significativa da nossa época, que revela, em imagens e sons, as utopias e distopias contemporâneas.

A participação do GRAPPA no Seminário FEMINA 2013 tem como objetivo apresentar alguns trabalhos relacionados a três das seis linhas de pesquisa do GRAPPA:
1) Cinema e Marcadores Sociais da Diferença: gênero, raça, etnia, religião, classe, corpo, sexualidade, região e geração;
2) Contextos de produção, circulação e recepção de produções audiovisuais;
3) Corpo e Performance.

A participação do público é gratuita, mediante inscrição prévia através do formulário. Os presentes em três dias de Seminário receberão um certificado de participação.

O público alvo deste Seminário são profissionais e estudantes que atuem nas áreas de audiovisual, estudos de mídia, comunicação, jornalismo, publicidade, propaganda, marketing, produção cultural, ciências sociais, políticas públicas e áreas afins.

O Seminário acontece durante a décima edição do Femina – Festival Internacional de Cinema Feminino, entre os dias 17 e 20 de julho às 14h, CAIXA Cultural RJ (Av. Almirante Barroso, 25 – Centro).

As mesas serão:

1º dia – 17 de julho de 2013

Mesa de abertura: PRODUÇÃO E CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA, FESTIVAIS DE CINEMA E GÊNERO: SOBRE POLÍTICAS DE REPRESENTAÇÃO.

Esta mesa abrirá as reflexões para os debates ao longo deste Seminário Femina 10 anos, e abordará desde a representação de identidades e diferenças, a produção e crítica cinematográfica, até a existência de festivais de cinema femininos e sobre diversidade sexual.

Exibição do filme:
Mariposa
de Hamideh Moeinfar
documentário,14 min, Suécia

Palestrantes:

Eliska Altmann
Professora adjunta da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no departamento de ciências sociais e no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS). Coordenadora adjunta do Núcleo de Experimentações em Etnografia e Imagem (NEXTimagem) – PPGSA/IFCS/UFRJ. Integrante do GRAPPA – Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais. Autora do livro “O Brasil imaginado na América Latina – a crítica de filmes de Glauber Rocha e Walter Salles”. Rio de Janeiro: Contra Capa/Faperj, 2010. Idealizadora do portal eletrônico “CineCríticos”: www.cinecriticos.com.br

O “rolo” feminino na crítica de cinema
Se o campo da crítica cinematográfica é múltiplo e plural a ponto de ser tarefa impossível defini-lo unívoca ou objetivamente, ele não se deixa enganar sobre um frágil sintoma que evidencia uma constatação: é composto histórica e majoritariamente por homens. De modo a entender o fato e a pensar o papel da mulher na função da crítica de cinema, discutiremos questões, tais como: por que mulheres (ainda) ocupam espaço restrito no métier? E como se veem e são vistas em meio a esse universo masculino? Relatos e entrevistas com importantes representantes da crítica no Brasil e na América Latina são fontes primárias da pesquisa.

Marcos Aurélio da Silva
Doutor em Antropologia Social pela UFSC e Pós-doutorando na mesma instituição. Integrante do Núcleo de Antropologia do Contemporâneo (TRANSES) e do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA), atua nos seguintes temas: cultura gay, cinema e sexualidade.

Festivais de Cinema e Políticas de Representação: das movimentações sociais aos agenciamentos do olhar
O trabalho é um desdobramento de sua pesquisa de doutorado em que investiga um festival de cinema da diversidade sexual, o Mix Brasil, realizado em São Paulo desde 1993. A atual pesquisa amplia o foco de análise para outros festivais do mesmo tipo, no Brasil, e pensa em que medida os festivais de cinema tornam-se dispositivos contemporâneos de produção de subjetividades, diretamente ligados aos campos de poder/saber que circunscrevem gênero e sexualidade, ao mesmo tempo em que são desdobramentos das políticas de representação contemporâneas, mais precisamente as que se conectam às movimentações LGBT das últimas décadas.

Paula Alves
Formada em Cinema pela UFF e Mestre em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais pela ENCE/IBGE. Produtora executiva de mostras audiovisuais e documentários. É diretora do Instituto de Cultura e Cidadania Femina e pesquisadora do GRAPPA.

O Cinema sob a Perspectiva de Gênero – produção e festivais
Na última década a América do Sul viu o surgimento de festivais de cinema dedicados à produção feminina e as discussões de gênero. O Femina, cuja primeira edição aconteceu em 2004, é pioneiro em tratar estas questões e a ele se seguiu os festivais Mujeres em Foco, na Argentina, que realizou sua quarta edição em 2013, e o FEMCINE, no Chile, que realizou sua terceira edição. Esta apresentação pretende fazer um balanço dos festivais femininos nesses países assim como sobre a participação das mulheres na produção cinematográfica.

Moderadora/Debatedora:
Amália Fischer
Coordenadora Executiva do ELAS Fundo de Investimento Social.
Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mestre em Comunicação pela Universidade Nacional Autônoma do México, Presidenta do Fundo de Ação Urgente e Conselheira do Fundo Baobá para Equidade Racial.

2º dia – 18 de julho de 2013

Nome da mesa: MULHERES E FUNK NO RIO DE JANEIRO

São algumas as produções audiovisuais que na última década tiveram como cenário o funk e o hip-hop carioca. A segunda mesa pretende debater o espaço que as mulheres têm nestes movimentos culturais, representações, feminismo, corpo e sexualidade.

Exibição do filme:
Mulheres no Funk
de Luisa Nolasco
documentário, 20 min, RJ, 2012

Palestrantes:

Mariana Gomes Caetano
Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades da UFF onde desenvolve a pesquisa intitulada: My pussy é o poder. A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: identidade, feminismo e indústria cultural. É também editora da revista Vírus Planetário

Luisa Nolasco
Fotógrafa, documentarista e diretora do curta-metragem Mulheres no Funk.

Priscila Rosa
Funkeira e personagens do filme Mulheres no Funk.

Maysa Abusada
Funkeira e personagens do filme Mulheres no Funk.

Moderadora/Debatedora:
Ana Enne
Jornalista e antropóloga, atualmente é professora do curso de Estudos de Mídia e do Programa de Pós-graduação em Cultura e Territorialidades (PPCULT), da UFF.

3º dia – 19 de julho de 2013

Nome da mesa: ESPAÇOS E REPRESENTAÇÕES DE MULHERES E NEGROS NO CINEMA BRASILEIRO

A terceira mesa pretende trazer um diálogo sobre as relações raciais e de gênero e a interseção destes dois marcadores sociais no cinema brasileiro, dos anos 1930 até as representações encontradas no cinema contemporâneo.

Exibição do filme:
Whakatiki
de Louise Leitch
Ficção, 13 minutos, Nova Zelândia, 2012

Palestrantes:

Ana Paula Alves Ribeiro
Antropóloga, com doutorado em Saúde Coletiva (UERJ). É pesquisadora do Núcleo de Pesquisa das Violências (NUPEVI – IESP/UERJ), do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA), do Núcleo de Pesquisa em Cultura, Identidade e Subjetividade (CULTIS/UFRRJ), além de colaboradora do Núcleo de Estudos afro-brasileiros (NEAB/UERJ). Tem experiência nas áreas de Antropologia e Metodologia da Pesquisa e atua nos seguintes temas: cidade, cultura afro-brasileira, cinema, religião e políticas públicas (nas áreas de educação e de saúde).

Espaços e representações de negros e mulheres no cinema brasileiro (1991 a 2010)
Pretende-se analisar a intersecção entre raça/etnia/ cor, gênero e sexo no cinema brasileiro nas últimas décadas. A partir de uma base se dados com cerca de 1.400 filmes de longa-metragem produzidos/lançados entre 1991 e 2010, com variáveis como cor/raça/etnia e sexo dos protagonistas e dos diretores, bem como o gênero e temática do filme, pretendemos refletir sobre as posições ocupadas por afrodescendentes e mulheres (brancas e negras), nas representações cinematográficas. Esta pesquisa parte das reflexões anteriores de Paula ALVES (O cinema brasileiro pela perspectiva de gênero, 2009), Luis Felipe HIRANO (Uma interpretação do cinema brasileiro através de Grande Otelo: raça, corpo e gênero em sua performance cinematográfica, 2008), e Ana Paula Alves RIBEIRO (Construções e desconstruções de identidades étnico-raciais no cinema brasileiro, 2008) e da pesquisa em andamento destes três autores. Nossa hipótese é que há uma distribuição de papéis desigual para negros e mulheres, quando comparado com o espaço ocupado por homens brancos. Os negros (as), em geral, aparecem em papéis criminalizados, marginalizados ou por seu valor identitário e de expressão cultural na música, religião, culinária, dança, etc. Ao passo que as mulheres (brancas e negras) em espaços domésticos, da intimidade e em papéis que valorizam o olhar masculino em detrimento de perspectivas feminina.

Jana Guinond
Mãe, Atriz, Colaboradora da ONG Estimativa e do Coletivo Meninas Black-Power, Vice-Presidenta de Relações Institucionais do COMDEDINE – Conselho Municipal em Defesa dos Direitos do Negro, Conselheira Deliberativa do Fundo Social Elas, Conselheira Suplente do Conselho Nacional de Política Cultural – CNPC e do Conselho Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.

Um olhar sobre a mulher negra no cinema

Luis Felipe Kojima Hirano
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP); FAS Fellow na Universidade de Harvard e Doutorando no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da USP. Pesquisador do GRAPPA – Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais. Trabalha com as questões de representação, marcadores sociais da diferença, raça/cor/etnia, gênero e sexualidade no cinema.

Olhares hegemônicos e contra-hegemônicos: pensando as imagens cinematográficas em perspectiva de gênero, raça/etnia, corpo e sexualidade
Esta comunicação pretende apresentar diferentes perspectivas para pensar olhares e poderes em jogo na produção cinematográfica. Por um lado, analisam-se estratégias de construção de noções de gênero, raça/etnia, corpo e sexualidade adotadas por filmes que, produzidos e distribuídos por grandes corporações, privilegiam um certo olhar masculino, branco e heterossexual. Por outro, apresentam-se estratégias contra-hegemônicas acionadas por filmes que partem de pontos de vista feministas e antirracistas e que dão vazão a outras noções de sexualidade e corpo. A apresentação, portanto, busca refletir sobre as novas formas e possibilidades de filmar, ver e sentir o cinema, que empreendem a desconstrução, construção e abertura espaços para visões alternativas.

Moderadora/Debatedora:

Juliana Garcia
Mestre em Antropologia pela UFMG. Pesquisadora do Centro de Estudos Pierre Sanchis (UFMG) e do GRAPPA, com experiência nas seguintes áreas: antropologia da arte, antropologia da religião e antropologia do corpo, com ênfase em cultura popular mineira e estudos das tradições afro-brasileiras.

4º dia – 20 de julho de 2013

Mesa de encerramento: O VISÍVEL E O INDIZÍVEL NA PELE QUE HABITAMOS

Exibição do filme:
Untitled
de Leontine Arvidsson
documentário, 4 min, Suécia

Palestrantes:

Debora Breder
Doutora em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense com estágio doutoral na EHESS (Paris). Estudou Cinema na EICTV (Cuba) É membro do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA). Atualmente é Professora-Visitante da UFMG. Tem experiência na área de Antropologia – com ênfase em Antropologia do Cinema – atuando principalmente nos seguintes temas: cinema, corpo, gênero, sexualidade, incesto, identidade.

Paloma Coelho
Doutoranda e mestre em Ciências Sociais pela PUC-MG, especialista em História da Cultura e da Arte. Membro do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA).

A pele que habito (2011), de Pedro Almodóvar, tornou-se uma referência quase obrigatória nos estudos de gênero & cinema: inúmeros são os trabalhos que abordam os deslocamentos e subversões que a trama desfia a partir da construção das personagens e de seus enredos biográficos. O objetivo desta mesa, contudo, é propor uma reflexão sobre as diferentes “camadas de significado” que sedimentam imageticamente a narrativa cinematográfica – significados estes, não raro, contraditórios, que iluminam as zonas de sombra nas quais o pensamento simbólico tematiza a diferença.
Assim, propõe-se analisar, primeiramente, o discurso explícito da trama, que enquadra não só o processo de mudança de sexo, como também a complexidade e a transitoriedade das categorias “corpo” e “gênero”, demonstrando seu caráter construtivo e inacabado ao se desvincular de categorizações fixas e essencialistas. Pretende-se discutir de que forma a narrativa problematiza e desloca as noções de “masculino” e “feminino”, abordando-as como construções culturais e implodindo padrões sociais de “normalidade” e de “anormalidade” ao desconstruir aspectos dados como naturais e universais sobre as performances de gênero.
A seguir, propõe-se analisar o discurso simbólico da trama, considerando que o cinema é constituído não apenas pelo que é “refletido” na tela, mas também pelo que é “projetado” em seus interstícios; ou seja, por um conjunto de ideias e valores que escapam às próprias intenções do autor. Focando um determinado plano do filme – que desvela o “não visível através do visível” ou o “latente por trás do aparente”, segundo expressão de Ferro –, pretende-se analisar de que forma o discurso simbólico da trama constitui uma espécie de contra discurso em relação ao que o longa-metragem explicitamente proclama.

Moderador/Debatedor:

Luiz Gustavo Pereira de Souza Correia
Professor Adjunto do Departamento de Ciências Sociais e do Núcleo de Pesquisa e Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Sergipe. Doutor em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba e graduado em Comunicação Social também pela UFPB. Membro do Comitê Deficiência e Acessibilidade da ABA. Líder do GRAPPA (Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais). Pesquisador associado à RIESDIS (Red Iberoamericana de Estudios Sociales sobre Discapacidad) e ao GREM (Grupo de Pesquisa e Sociologia e Antropologia das Emoções).