O FEMINA surge com o intuito de destacar e divulgar a participação feminina no cinema, com exibição de longas e curtas-metragens brasileiros e estrangeiros em sessões especiais, fórum de debates, encontro de festivais e uma mostra competitiva.

Os festivais de filmes dirigidos por mulheres surgiram, principalmente, na Europa, nas décadas de 70 e 80, acompanhando o desenvolvimento do movimento feminista e o aumento substancial de mulheres realizadoras.

Na América Latina, nos últimos anos, a idéia e a vontade de realizar festivais de cinema femininos cresceu, e foram realizadas algumas mostras de filmes sem caráter competitivo, sem abrangência internacional ou objetivo de continuidade.

O FEMINA - Festival Internacional de Cinema Feminino, será, portanto, o primeiro evento desta dimensão no Brasil e na América Latina, concretizando um sonho almejado por profissionais de diversos países, contando com o apoio dos demais festivais de filmes de mulheres já existentes no mundo.

O FEMINA surge cercado de felizes coincidências, como o fato de 2004 ter sido declarado pelo Presidente da República como o Ano da Mulher no Brasil, e quando, também, o Rio de Janeiro é sede da REM - Reunião Especializada das Mulheres do Mercosul. O FEMINA vem anunciar também a instituição do Ano da Mulher Latino-americana em 2005, uma sugestão do Brasil.

O FEMINA pretende lançar os novos filmes das diretoras contemporâneas, incentivar a produção de curtas-metragens e o surgimento de novas diretoras.

A realização do FEMINA - Festival Internacional de Cinema Feminino é um retrato das mudanças tardias nos países latino americanos, que, finalmente, parecem despontar para uma sociedade preocupada com as igualdades de gênero e raça.

Agradecemos a colaboração de todas as pessoas, empresas e instituições que nos ajudaram a tornar possível a realização do FEMINA em 2004.

Paula Alves e Eduardo Cerveira
Diretores


OS FILMES
A programação da primeira edição do FEMINA traz uma seleção do melhor que está sendo produzido por realizadoras ao redor do mundo, nos formatos de curta e longa-metragem. Esse ano daremos prioridade a trabalhos oriundos da América Latina, por sermos o primeiro festival do gênero na região, e também antecipando as comemorações do Ano da Mulher Latino-americana em 2005.

Estaremos exibindo em caráter de pré-estréia longas-metragens que estão atualmente rodando o circuito de festivais e colhendo boas críticas. Na sessão de abertura será mostrado o documentário mexicano Recuerdos, de Marcela Arteaga. Produzido durante quatro anos e rodado no México, Inglaterra, Lituânia, Estados Unidos, França e Espanha, o filme já participou dos Festivais de Karlovy Vary e Montreal, entre outros. O filme Cielo Azul, Cielo Negro, de Paula de Luque e Sabrina Farji, exibido com sucesso em Locarno, é mais uma produção de destaque da nova geração argentina.

A mostra competitiva de curtas-metragens nacionais foi programada a partir da seleção do melhor que foi feito no país nesse formato nos últimos dois anos, e tem como objetivo estimular a produção de jovens realizadoras. Os filmes foram escolhidos não só pela qualidade artística e técnica, mas também por seus temas femininos. Haverá uma sessão exclusiva para trabalhos provenientes de escolas de cinema, onde a cada ano novas realizadoras têm chance de mostrar seu valor. Todos os curtas nacionais estarão concorrendo a prêmios oferecidos por nossos apoiadores.

Outro programa que também se pretende anual é reservado aos festivais internacionais de mulheres já estabelecidos no exterior. Para esse ano convidamos o Festival Femme Totale, da Alemanha, que há vinte anos exibe a produção feminina alemã e estrangeira. O programa é formado por curtas recentes de diretoras alemães de destaque.

Na sessão de encerramento serão exibidos os curtas-metragens dirigidos por mulheres no Talents Cannes 2004. O projeto marca a estréia na direção de renomadas atrizes, e é uma iniciativa da ADAMI (associação francesa de artistas-intérpretes), apresentado no Festival de Cannes. Esse ano foram produzidos filmes dirigidos pelas atrizes Emmanuelle Bercot, Maria de Medeiros, Julie Delpy, Myriam Boyer e Denise Chalem.

Também na sessão de encerramento serão exibidos os premiados da Mostra Competitiva Nacional nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretora Brasileira, Melhor Diretora de Escola e Destaque Feminino.


O JÚRI
Ana Pessoa
Arquiteta, Mestre em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ, com a dissertação "Sob a luz das estrelas - Carmen Santos e o cinema brasileiro silencioso (1919-1942)". Doutora pela mesma faculdade, com a tese "Cartas do sobrado", sobre correspondência e memória social, defendida em 2000. Atualmente trabalha como pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Andréia Capella
Diretora de Fotografia, hedonista, professora do curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense, fotógrafa e dj nas horas vagas.

Guilherme Tristão
Graduado em cinema pela Universidade Federal Fluminense em 1985. Após formar-se, atuou como Técnico de Som Direto em vários curtas-metragens. Durante 15 anos foi Coordenador de Produção do Curso de Cinema da UFF.

Em 1985, fundou o FESTIVAL BRASILEIRO DE CINEMA UNIVERSITÁRIO, onde continua atuando como Coordenador. Desde 2000, trabalha com eventos no Centro de Artes da UFF e é Coordenador de Programação do Grupo Estação.

Jorge Sánchez
Criador da distribuidora Zafra-Cine Difusão.

Produziu filmes de María Novaro, Arturo Ripstein, Paul Leduc e Tomás Gutiérrez Alea. Criou 3 produtoras de cinema: Macondo Cine Vídeo, Amaranta e Filmania. Foi um dos fundadores da Associação Mexicana de Produtores Independentes e da Federação Iberoamericana de Cinema e Audiovisual.

Participou como jurado dos seguintes festivais: San Sabastian, Sundance, Toronto, Havana, entre outros. Atualmente é Cônsul Geral do México no Rio de Janeiro.

Luciana Boal Marinho
Produtora, sócia da MPC & Associados desde 1986.

Em 1992, fez a produção do longa-metragem americano The Art of the War, dirigido por Richard King e, em 1996, foi responsável pela produção executiva do longa-metragem francês Le Jaguar, dirigido por Francis Veber. Sua mais recente produção é O Dia da Caça, de Alberto Graça. Atua ainda como Vice Presidente do Instituto Cultura em Movimento (Icem).



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